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Abaixo o mercado negro

Hoje, 18 de Novembro de 2009, recebi uma carta do Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto. O assunto, adivinhei antes de abrir o envelope que recolhi logo antes do almoço, dizia respeito a um arquivamento. Tratava-se da queixa contra desconhecidos resultante do meu último encontro com os amigos do alheio.

A 30 de Setembro de 2009, 18:30, Rua Oliveira Martins por trás da Praça Velásquez, na cidade do Porto. O meu carro encontrava-se com o vidro partido, todo remexido, totalmente saqueado no que dizia respeito a mochilas que estavam na mala. Perdi alguns discos externos, é certo, mas a maior parte das coisas que me levaram eram inúteis ao larápio, nomeadamente: testes de doutoramento, livros de optimização de processos, apontamentos e resultados para a escrita de artigos. Enfim, todo o papel que o vagabundo que partiu a janela precisava para… aquecer-se ou fazer charros.

A situação em si, assim como a perturbadora sensação de violação de privacidade que permanece dentro do carro, são difíceis de gerir. A revolta cresce por dentro.

Infelizmente não podemos movimentar-nos apenas em locais que nos sejam aprazíveis. É preciso fazer pela vida.

E assim, hoje, 19 de Novembro de 2009, 19:30, na mesma zona, a mesma situação. Fiquei desolado. Desta vez os livros já estavam à vista. Os casacos também. Lá ficaram todos dispersos, emaranhados, por entre os restos de vidro que preenchiam o banco traseiro. Mais uma vez, e em tão pouco tempo, tudo remexido, tudo fora do lugar. Não levaram nada. Tinham passado tão poucas horas do arquivamento previsível da primeira situação e eu já me via a viver um deja vú tão revoltante.

Os indivíduos que executam este tipo de acções andam lá na Praça. Estão mergulhados na marginalidade em que se movimentam. Não quero saber se a culpa é deles, se é da sociedade, da falta de oportunidades ou dos azares. Isso, por ora, não me interessa.

Hoje dirijo-me a ti, seu idiota. Seu parasita.

Amaldiçoo-te da cabeça aos pés e recrimino as atitudes com que alimentas as actividades desses pobres coitados que, como zombies, passam o dia nas ruas. É a ti, que ambicionas chegar ao café com o último modelo de telemóvel comprado a um terço do preço; É a ti, que desejas ter um portátil novo a um preço ridículo (usando depois características topo de gama para apanhares vírus informáticos e usares o instant messaging); É a ti, que gostas de levantar a mão para mostrar o teu GPS novo ou leitor de MP3 arranjado através de “contacto”; É a ti, seu azeiteiro chico-esperto que alimentas o mercado negro, que gostaria de dar a maior tareia que as minhas forças me permitissem concretizar.

Pela tua procura cria-se a oportunidade. Estes marginais retiram às pessoas que com esforço e poupança adquiriram os seus bens para os fazer chegar a ti, explorador, que tiras partido da pressão que o vício lhes coloca.

Aproveitas e transformas os objectos e equipamentos em quantias irrisórias que te enchem o peito de ar, te alimentam o ego e te iludem, fazendo-te crer esperto e um passo à frente dos outros. Julgas com isso ganhar um status que, lamento dizer-te, é válido dentro do resto dos cabeças ocas que pensam como tu.

Não passas, em bom português, de uma besta fdp que alimenta e dá dimensão à margem da sociedade. Odeio-te!

Backups online

Numa altura em que a nuvem tem cada vez mais importância e que os dados passaram a ter uma importância vital, parece-me que é preciso prevenir os efeitos de um incêndio nas salas de trabalho.

Quais as melhores ferramentas para as cópias de segurança remota? O lifehacker fez a sondagem.

(re)Invenção da seringa

A seringa é um objecto cuja função é imediatamente reconhecida por qualquer um de nós. Sucede no entanto que, muitas vezes, e com tantos outros objectos, não nos apercebemos que a sua incorrecta utilização pode ter consequências nefastas.

Das palestras TED chega uma curta comunicação de Marc Koska que nos alerta para a necessidade de reinventar a seringa.

Verdade desportiva: não admitir dúvidas

Dentro dos destaques das notícias desportivas de hoje, pode encontrar-se a notícia sobre Nuno Ribeiro, último vencedor da volta a Portugal, que passa a contar com uma análise positiva a substâncias dopantes.

As leis da justiça desportiva dão ao atleta o direito de solicitar uma contra-análise. Tal situação poderá, pelo que entendo, fazer com que o ciclista da equipa Liberty Seguros não perca o seu título de vencedor da volta lusa.

Há no entanto uma atitude a louvar nesta situação. A empresa patrocinadora e a direcção da equipa, a bem da seriedade com que apostaram realizar o seu trabalho, desmantelaram imediatamente a equipa perante as dúvidas que se colocam sobre a forma como marcam presença no desporto.

Esta atitude dá que pensar. Não dá?

Porque a ciência não se faz por si mesma

A ABIC, Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, prepara-se para promover mais uma acção de chamada de atenção no próximo dia 23 de Setembro.

Os bolseiros de investigação sofrem, inúmeras vezes, de uma incompreensão que resulta em grande parte do baixo nível escolar das habilitações do Portugal médio. Não sendo considerados trabalhadores, os bolseiros de investigação, e em particular os estudantes de Doutoramento, são vistos como estudantes perpétuos que nada fazem ou produzem. Este estigma cultural tem que ser combatido e um primeiro passo importante seria a mudança do enquadramento legal que regula a actividade destes trabalhadores científicos.

Num período de campanha eleitoral, em que se esgrimem argumentos sobre aquelas que devem ser consideradas as prioridades do país, é importante que a mão de obra científica não seja esquecida. Não podemos continuar a pensar a ciência como um conjunto fechado de ideias já concebidas cuja aplicação contribuí para a nossa existência. Devemos ir mais além. Essas ideias têm génese, resultam de um processo que exige trabalho e dedicação. Essa mesma ciência é produzida por pessoas, com aspirações e com famílias. Pessoas com um projecto pessoal de vida.

Como ex-bolseiro, irmão de bolseiro e amigo de bolseiros, não posso deixar de manifestar o meu apoio à iniciativa promovida pela ABIC.

Ajuda a divulgar a próxima iniciativa do dia 23 de Setembro. Fala com os teus amigos e os teus colegas. Usa a tua rede social e divulga a mensagem. Lembra-te: Não há verdadeiro investimento em Ciência sem investimento em quem a faz.

… de volta

Hoje é dia de regresso ao trabalho em hgsilva.com

A partir de será aqui construído um espaço de divulgação de projectos e informações que pretende ser elo de ligação entre as mais diversas formas de estar na web. As novidades irão sendo apresentadas ao longo dos próximos dias.

Quanto à apresentação da página, começa desde já o brainstorming para a sua afinação. Para já mantém-se a versão base de um dos temas propostos pelo Andreas Viklund

Hoje…

… mostra-se um pequeno brilho no horizonte. Parece que as condições se irão finalmente alinhar para que se concretizarem objectivos. Antes disso, porém, haverá tempo para descansar e sair de órbita.

O regresso acontecerá muito em breve. E nessa data a contagem decrescente terá início.